EnquadramentoUrbano, isolado, harmónico, em apertado vale onde corre a Ribeira de Brotas, que ao lado da igreja se encontra encanada. A Igreja fecha uma longa rua, flanqueada a Sul pelas fachadas do conjunto de edificações das antigas hospedarias das múltiplas confrarias de invocação da padroeira, magnífico conjunto de edifícios rústicos dos séculos 16 e 17 com um cunho muito marcado, identificados por lápides de mármore ou painéis cerâmicos legendados. Perto fica a Torre das Águias que se ligaria ao culto de Nossa Senhora de Brotas.
Utilização InicialCultual: igreja de peregrinação
Utilização ActualCultual: igreja ( festa móvel; realiza-se normalmente na 2ª semana de Agosto )
Época de ConstruçãoSéc. 16 / 17 / 18
Tipologia
Arquitectura religiosa, manuelina, barroca. Edifício de cunho popular e estilo muito próprio, determinado pelo espaço atravancado em que se implanta e pela várias intervenções e enxertos pelas múltiplas confrarias (*1).
Características ParticularesA galilé da fachada, encontrando paralelos apenas com o da Cova da Iria e com a Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra. Destaque igualmente para a pequena imagem quatrocentista de Nossa Senhora das Brotas.
Intervenção Realizada
1957 - Reparação das coberturas; 1960 - reparação de soalho e de alguns telhados; 1961 - construção de portas e caixilhos e reparação ligeira de telhados; 1972 - reconstrução de telhados da abside, reparação da torre sineira, consolidação de um altar e caiações; 1977 - demolição de pavimentos em madeira e construção de pavimento de tijoleira, execução de tectos de madeira, construção de porta, consolidação de dois altares, caiações; DREMS: 1984 - drenagens laterais com vista a minimizar as infiltrações e humidades;1988 - reparação geral do telhado, substituição de madeiras, limpeza de algerozes; 1994 - reparação de coberturas (abside, sacristia e nave) com substituição de telhas, reparação de rebocos exteriores, caiação exterior e construção de drenagem lateral; 2001 - obras de conservação na sacristia, capela-mor a sala anexa de molde a minimizar os problemas de humidade; 2002 - 2003 - conservação e restauro dos azulejos existentes no interior da igreja e Sacristia e no exterior do nártex, incluindo limpeza, remoção de argamassas velhas, consolidação de argamassas e vidrados, preenchimento de falhas e lacunas.
Observações(*1) - O santuário de Brotas liga-se, segundo a lenda, a um milagre ocorrido c. de 1440: uma vaca que pastava teria caído ao fundo do barranco no qual hoje se ergue a igreja; um pastor achando o animal já morto propunha-se esfola-lo quando lhe surgiu a Virgem com o Menino e lhe disse que no local construisse um templo em veneração da sua imagem que miracolosamente ali talhou do osso da canela da vaca, que entretanto o pastor havia amputado; após a aparição o pastor constatou que vaca estava viva e com os membros intactos. A fama do milagre levou ao local inúmeros romeiros em particular do Alentejo e da península de Setúbal; era tal modo elevado o número de fiéis que acorriam ao local que o culto da Virgem se desenrolava no adro da igreja, num altar exterior construído para o efeito; rápidamente o nome de Brotas se projectou além fronteiras sendo recordado na toponímia de vários países, como no Brasil, com 4 localidades com esse nome e 5 arquidioceses cujo orago é Nossa Senhora das Brotas, padroeira dos animais doentes. A imagem da Virgem em marfim, que se encontra no nicho do Altar das Almas, é popularmente identificada com aquela miracolosamente talhada no osso da vaca.
Fonte: www.monumentos.pt